19.2.07

O nascimento da Julia


Vou compartilhar com vocês minha experiência com o nascimento da Julia em 9 de Novembro de 2006, pesando 3300g, e 45 cm de altura. Ela nasceu de parto cesareana (depois de 48h em trabalho de parto...). Nasceu bem, chorando e saudável, graças a Deus!

Eu queria muito ter tido um parto natural, portanto, a cesareana foi decepcionante para mim. Além disso, não me deixaram segurar a Julia logo após seu nascimento. Só fui segurá-la em meus braços 3 horas depois do parto. A primeira hora de vida do recém-nascido é crucial, o nenê está alerta e pronto pra fortalecer o vínculo com a mãe. Eu perdi essa primeira hora mas o Matthew pode ficar com ela e eles estabeleceram um vínculo forte e saudável. Sou grata pelo fato do Matthew ter podido ficar com ela mas senti-me culpada por não estar presente naquele momento inicial e importante da vida dela.

Logo em seguida, tive problemas com a amamentação. Desde o início não tive leite suficiente. Tentei tudo o que eu sabia e até coisas que nunca tinha ouvido falar. Tomei e comi tudo o que me falaram que aumentava o leite mas não tive sucesso. Eu a amamentei exclusivamente ao seio até os 15 dias de vida e depois tive que complementar pois ela só perdia peso e chorava de fome. Mantive aleitamento misto até os 2 meses de vida e meu leite secou completamente.

Acho que essa foi uma das maiores decepções da minha vida pois sempre sonhei em amamentar meus filhos até 1 ano de vida. Nunca me passou pela cabeça que isso não aconteceria. Fiquei deprimida e por 1 mês eu só chorava... Foi um período muito difícil, mas do qual tirei muitas lições e vou compartilhar uma delas com vocês.

Logo nas primeiras semanas de vida, um dia, estava tentando amamentar a Julia e ela recusava meu seio. Chorava de fome mas não pegava o seio de jeito nenhum. Chorava, debatia-se e empurrava meu seio jogando a cabecinha pra trás. E eu, chorava junto com ela, é claro, pois era evidente que ela estava com fome mas recusava o alimento.

Enquanto tudo isso acontecia eu “pensava alto”: “Julia, minha filha, deixe de lutar contra o meu seio. É daqui que vem o leite que vai satisfazer sua fome, por que você está recusando?” E me sentia totalmente rejeitada por ela. Não conseguia nem acalmá-la pois ela não parava de chorar e de se debater.

Então comecei a orar e a pedir a Deus que me ajudasse, que a acalmasse e a ajudasse a pegar o seio.

Senti Deus me respondendo: “ Sabe o que você sente, quando ela rejeita o seu seio? É assim que eu me sinto quando você não recebe o meu amor. Pare de receber gotas do meu amor por você, quero derramá-lo em abundância...”

Eu me senti muito mal pois nunca pensei que o fato de eu não receber o amor de Deus por completo o fizesse sentir-se rejeitado por mim. E perguntei a Ele: “O que devo fazer pra receber seu amor em abundância, Senhor? Sempre achei que o estava recebendo...” E Deus me respondeu: “Esse é o problema, você nao precisa FAZER nada, apenas ESTAR na minha presença e deixar-me cuidar de você”. E Deus ainda me disse: “A Julia precisa sentir minha presença e conhecer meu amor, assim ela terá paz e se acalmará. Mas, por enquanto, ela precisa de você para ser um canal da minha presença pra ela. Quando você sente a minha presença, descansa em mim e recebe do meu amor, ela também sente a minha presença e meu amor por vocês.”

E eu, chorando, descansei na presença de Jesus. Assim que fiz isso, ela parou de chorar e pegou meu seio sem eu ajudá-la, sem eu fazer nenhum esforço pra que isso acontecesse.

Parecia um milagre mas eu sabia que Jesus se fazia presente pra mim e pra ela e isso a dava paz e tranquilidade. Foi uma experiência única e marcante que me ensinou muito.

Todos sabemos que os filhos NÃO nos pertencem, que pertencem a Deus. Sabemos disso (em nossas mentes) mas nem sempre sentimos essa verdade no nosso coração e facilmente tentamos assumir o controle da situação, principalmente quando ela fica difícil. Essa experiência, porém, permitiu-me SENTIR que a Julia pertence ao Senhor e que não há melhor lugar pra ela do que nos braços do Pai. Ele é o único que pode REALMENTE suprir cada uma das necessidades dela. Por mais que eu me esforce vou cometer erros e deixar algo a desejar.

Dessa forma, eu me sinto muito mais livre e entusiasmada pra crescer no meu relacionamento com Deus pra poder ser a representaçao feminina do amor de Deus por ela enquanto ela é pequenininha. E um dia, quando crescer e puder fazer escolhas, sei que é minha responsabilidade ensiná-la sobre o carater de Deus, através das minhas palavras e principalmente das minhas atitudes, para que ela possa escolher e andar nos caminhos do Senhor.

Essa experiência também me deu muito mais compaixão pelas pessoas e me fez ver um novo aspecto de “ser mãe”. Sei que se voltar a trabalhar como Pediatra vou ter muito mais compaixão pelas mães dos meus pequenos pacientes.

Não é maravilhosa a forma como Deus nos ensina coisas boas através de experiências dolorosas e difíceis? Glória ao Seu Nome!!!

Que Deus os abençoe

Com carinho e saudades

Ana, Matthew e Julia

2 comentários:

Unknown disse...

AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE
Conseguiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!
Coca!
Vc sabe q sempre digo q os filhos não são nossos, vieram através de nós para cumprir um plano do Pai e por isso, nada de sufocá-los com aquilo q desejamos, Deus cuida e provê!!!
Beijos da
Liza
duas grandes decepções de sua tia: cesárea e amamentação...mas, fazer o q??? Vc teve a conversa com Deus, mas eu ando meio surda a Ele, aliás estou lendo uma série maravilhosa de romances, chamado Mittford, uma cidadezinha, onde tudo gira em torno do pastor, um homem maravilhoso, q conversa e entrega tudo ao Pai! LINDÍSSIMOS!!!

Anônimo disse...

Filha,


"Teus filhos não são teus filhos.
São filhos e filhas da Vida, anelando por si própria.
Vêm através de ti, mas não de ti.
E embora estejam contigo, a ti não pertencem.
Podes dar-lhes te amor, mas não teus pensamentos,
Pois que eles têm seu pensamento próprios.
Podes abrigar seus corpos, mas não suas almas,
Pois que suas almas residem na casa do amanhã, que não podes visitar sequer em sonhos.
Podes esforçar-te por te parecer com eles, mas não procures fazê-los semelhantes a ti,
Pois a vida não recua, e não se retarda no ontem.
Tu és o arco do qual teus filhos, como flechas vivas, são disparados..............................

Que a tua inclinação, na mão do arqueiro seja para a alegria."

Kahlil Gibran