24.2.07

O PREGNANCY CENTER (CENTRO DE GESTAÇÃO)



Faz três semanas que voltei ao Pregnancy Center. Voluntario lá desde Outubro de 2005 mas estava de “licença maternidade” por três meses depois do nascimento da Julia.

No começo não sabia como ia ser a adaptação da Julia ao novo horário pois a levo comigo. Voltei a trabalhar apenas meio período, 2 vezes por semana, pra sentir como ela ia se adaptar mas até agora, tem se comportado maravilhosamente bem. Também, pudera, tem uma meia dúzia de “tias” lá doidinhas pra mimá-la. Tem até disputa pra ver quem vai carregá-la no colo... Isso me deixa mais aliviada pois assumi um compromisso de voluntariar lá por um período mínimo de 2 anos e não gostaria de quebrar meu acordo. Mesmo porque eles investiram em mim com cursos e treinamento. Ainda bem que tudo está fluindo bem.

Aqui nos EUA o aborto (provocado) é legal e MUITO praticado. Temos, pelo menos, 3000 abortos por dia no país. Os números são altíssimos e as pessoas encaram o aborto como uma escolha da mulher, afinal, os EUA são um país democrático. No Pregnancy Center tentamos mostrar às gestantes (a maioria com gestação não desejada) que há outras opções ao aborto. Claro que a escolha final é da cliente, mas muitas acham que o aborto é sua única “saída” e não tem idéia dos efeitos emocionais que ele causa. Acho que qualquer brasileiro ficaria chocado (como eu fiquei no começo) com a forma como eles encaram aborto como parte de suas vidas; sem pensar e, muitas vezes, sem conhecer as consequências.

No Pregnancy Center vemos muitas mulheres mudarem de idéia após passarem pelo centro, após um maior esclarecimento sobre o assunto e, muitas vezes, após verem seus bebês de apenas 7 – 8 semanas ao Ultra Som, completamente formados, com o coraçãozinho batendo. Muitas vão em frente e decidem abortar mas temos várias histórias que fazem valer nosso trabalho e vou compartilhar uma delas com vocês.

Essa garota veio ao centro no ano passado pra fazer um teste de gravidez e confirmar se estava grávida ou não. O teste foi positivo e ela não queria o bebê pois o seu relacionamento com o pai da criança era instável. Essa moça tem 34 anos e uma filha de 11 anos. A diretora do centro foi quem a atendeu e procurou mostrar-lhe as consequências do aborto e as outras opções que ela tinha, ajudando-a a processar cada uma delas. Após a conversa ela quis fazer um Ultra Som pra saber de quantas semanas estava e programar o aborto. Ela viu seu bebezinho completamente formado, mexendo-se bastante dentro do útero e com o coraçãozinho batendo. Seus olhos encheram-se de lágrimas e ela decidiu pensar melhor no que faria.

Semanas mais tarde ela nos procurou pra dizer que havia mudado de idéia e iria ter o bebê. Nós a ajudamos com roupas e outros artigos pro recém-nascido. No final da gestação ela me procurou e quis participar das aulas de preparo para o parto. Compareceu às 5 aulas que eu dou, semanalmente, junto com outros 2 casais. E seu namorado veio junto e era evidente a felicidade do casal com a vinda do bebê.
Ela teve um menino 1 mês antes do nascimento da Julia. O casal está junto e até sua filha de 11 anos está adaptada ao novo “pai”. Ela veio ao Pregnancy Center esta semana pra conversar comigo, mostrar seu bebê e conhecer a Julia mas eu não estava lá, infelizmente. Ela conversou com a diretora do centro (que a aconselhou na sua primeira vinda ao P Center) e, com os olhos cheios de lágrimas, disse que não tinha palavras pra agradecer a ajuda que recebera de nós, principalmente abrindo-lhes os olhos para as consequências do aborto. E disse que seu filho é uma das maiores alegrias que ela poderia ter e que não imagina sua vida sem ele.

GLÓRIA A DEUS!!! Essa foi uma história com final/começo feliz. Gostaríamos que todas fossem assim mas infelizmente não são.

Sempre que pensarem em mim, orem pelo trabalho no Pregnancy Center e pela lei do aborto nos EUA. Cremos que essa lei ainda pode mudar.

Nós, no Brasil, somos abençoados pelo fato do aborto se ilegal. E devemos isso à Igreja Católica que é totalmente contra o aborto! Sabemos que abortos acontecem no nosso país mas o fato de ser ilegal faz uma grande diferença na forma como as pessoas encaram o procedimento. Temos, pelo menos, 3000 abortos por dia aqui. Ja pensaram quantas vidas perdemos por ano? Triste realidade; mas temos esperança de que mude um dia e tentamos fazer nossa pequena parte no Pregnancy Center.

19.2.07

O nascimento da Julia


Vou compartilhar com vocês minha experiência com o nascimento da Julia em 9 de Novembro de 2006, pesando 3300g, e 45 cm de altura. Ela nasceu de parto cesareana (depois de 48h em trabalho de parto...). Nasceu bem, chorando e saudável, graças a Deus!

Eu queria muito ter tido um parto natural, portanto, a cesareana foi decepcionante para mim. Além disso, não me deixaram segurar a Julia logo após seu nascimento. Só fui segurá-la em meus braços 3 horas depois do parto. A primeira hora de vida do recém-nascido é crucial, o nenê está alerta e pronto pra fortalecer o vínculo com a mãe. Eu perdi essa primeira hora mas o Matthew pode ficar com ela e eles estabeleceram um vínculo forte e saudável. Sou grata pelo fato do Matthew ter podido ficar com ela mas senti-me culpada por não estar presente naquele momento inicial e importante da vida dela.

Logo em seguida, tive problemas com a amamentação. Desde o início não tive leite suficiente. Tentei tudo o que eu sabia e até coisas que nunca tinha ouvido falar. Tomei e comi tudo o que me falaram que aumentava o leite mas não tive sucesso. Eu a amamentei exclusivamente ao seio até os 15 dias de vida e depois tive que complementar pois ela só perdia peso e chorava de fome. Mantive aleitamento misto até os 2 meses de vida e meu leite secou completamente.

Acho que essa foi uma das maiores decepções da minha vida pois sempre sonhei em amamentar meus filhos até 1 ano de vida. Nunca me passou pela cabeça que isso não aconteceria. Fiquei deprimida e por 1 mês eu só chorava... Foi um período muito difícil, mas do qual tirei muitas lições e vou compartilhar uma delas com vocês.

Logo nas primeiras semanas de vida, um dia, estava tentando amamentar a Julia e ela recusava meu seio. Chorava de fome mas não pegava o seio de jeito nenhum. Chorava, debatia-se e empurrava meu seio jogando a cabecinha pra trás. E eu, chorava junto com ela, é claro, pois era evidente que ela estava com fome mas recusava o alimento.

Enquanto tudo isso acontecia eu “pensava alto”: “Julia, minha filha, deixe de lutar contra o meu seio. É daqui que vem o leite que vai satisfazer sua fome, por que você está recusando?” E me sentia totalmente rejeitada por ela. Não conseguia nem acalmá-la pois ela não parava de chorar e de se debater.

Então comecei a orar e a pedir a Deus que me ajudasse, que a acalmasse e a ajudasse a pegar o seio.

Senti Deus me respondendo: “ Sabe o que você sente, quando ela rejeita o seu seio? É assim que eu me sinto quando você não recebe o meu amor. Pare de receber gotas do meu amor por você, quero derramá-lo em abundância...”

Eu me senti muito mal pois nunca pensei que o fato de eu não receber o amor de Deus por completo o fizesse sentir-se rejeitado por mim. E perguntei a Ele: “O que devo fazer pra receber seu amor em abundância, Senhor? Sempre achei que o estava recebendo...” E Deus me respondeu: “Esse é o problema, você nao precisa FAZER nada, apenas ESTAR na minha presença e deixar-me cuidar de você”. E Deus ainda me disse: “A Julia precisa sentir minha presença e conhecer meu amor, assim ela terá paz e se acalmará. Mas, por enquanto, ela precisa de você para ser um canal da minha presença pra ela. Quando você sente a minha presença, descansa em mim e recebe do meu amor, ela também sente a minha presença e meu amor por vocês.”

E eu, chorando, descansei na presença de Jesus. Assim que fiz isso, ela parou de chorar e pegou meu seio sem eu ajudá-la, sem eu fazer nenhum esforço pra que isso acontecesse.

Parecia um milagre mas eu sabia que Jesus se fazia presente pra mim e pra ela e isso a dava paz e tranquilidade. Foi uma experiência única e marcante que me ensinou muito.

Todos sabemos que os filhos NÃO nos pertencem, que pertencem a Deus. Sabemos disso (em nossas mentes) mas nem sempre sentimos essa verdade no nosso coração e facilmente tentamos assumir o controle da situação, principalmente quando ela fica difícil. Essa experiência, porém, permitiu-me SENTIR que a Julia pertence ao Senhor e que não há melhor lugar pra ela do que nos braços do Pai. Ele é o único que pode REALMENTE suprir cada uma das necessidades dela. Por mais que eu me esforce vou cometer erros e deixar algo a desejar.

Dessa forma, eu me sinto muito mais livre e entusiasmada pra crescer no meu relacionamento com Deus pra poder ser a representaçao feminina do amor de Deus por ela enquanto ela é pequenininha. E um dia, quando crescer e puder fazer escolhas, sei que é minha responsabilidade ensiná-la sobre o carater de Deus, através das minhas palavras e principalmente das minhas atitudes, para que ela possa escolher e andar nos caminhos do Senhor.

Essa experiência também me deu muito mais compaixão pelas pessoas e me fez ver um novo aspecto de “ser mãe”. Sei que se voltar a trabalhar como Pediatra vou ter muito mais compaixão pelas mães dos meus pequenos pacientes.

Não é maravilhosa a forma como Deus nos ensina coisas boas através de experiências dolorosas e difíceis? Glória ao Seu Nome!!!

Que Deus os abençoe

Com carinho e saudades

Ana, Matthew e Julia

Introduçao ao meu Blog







Oi meus amigos e família aí no Brasil!!!

Estou criando um Blog pra melhor me comunicar com vocês. Os textos que coloco no nosso website estavam ficando muito espaçados pois dependo do Matthew pra postar. Aqui não tem desculpa, posso colocar uma notinha todos os dias se tiver tempo. E vocês podem saber detalhes de tudo o que está acontecendo conosco aqui no Havaí.

Estamos no meio do inverno aqui no hemisfério norte. Bom, no Havaí não faz exatamente frio, mas tem chovido bastante e tem feito um friozinho de manhã e à noite. Faz meses que não vamos à praia e a Julia ainda não conhece o mar de pertinho, só de longe.

As praias aqui em Kona sao bonitas mas a maioria não é praia de areia e sim de pedras vulcânicas. Aqui na Ilha Grande temos 2 vulcões e a principal paisagem da ilha são de rochas escuras (lava vulcânica). Portanto, na maioria das vezes, vemos o mar mas não dá pra chegar muito perto por causa das rochas. Precisamos levar a Julia numa praia de areia pra ela poder chegar perto do mar e colocar seu pezinho na água...

Bom, espero me comunicar com mais frequência de agora em diante e adoraria ouvir notícias de vocês e comentários sobre o blog.

Fiquem com Deus

Saudades enormes!

Ana